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9 de setembro de 2011

Os Cristãos Devem ser Antiamericanos ou Estadunidólatras?

Por Ciro Sanches Zibordi

Há quase dez anos, os atentados terroristas contra o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, em Washington, abalaram os Estados Unidos e mudaram a vida das pessoas em todo o mundo. No meio evangélico não tem sido diferente. Desde o 11/9, florescem, nas igrejas cristãs, dois segmentos extremistas: o antiamericanismo (que apoia tacitamente o terrorismo financiado pelo extremismo islâmico) e a estadunidolatria (que apoia toda e qualquer ação do governo norte-americano, ainda que seja injusta).

Tenho visto pregadores e escritores verberando contra os Estados Unidos, considerando-os “o grande satã”, os causadores de todos os males que atingem a humanidade. Alguns - adeptos das teorias da conspiração - vão mais além: dizem que a maior potência do mundo está a serviço dos bilderbergs, illuminatis e maçons. E, por isso, além de ter atacado o World Trade Center e o Pentágono, em 11 de setembro de 2001, está construindo campos de concentração e estocando caixões na Geórgia, a fim de matar mais gente. Quanta invencionice!

O antiamericanismo chega a ser paranoico, em alguns casos. O simples fato de a imprensa norte-americana referir-se aos aludidos atentados como “9/11” gera especulações. Um dia desses, um internauta me escreveu o seguinte: “Só tenho uma pergunta ao senhor e aos que acreditam na versão oficial do atentado: Por que 11 de Setembro? Por que 9/11? Por que não 8/11 ou 10/11? Por que bem em uma data maçônica? Afinal, 9 + 1 + 1 = 11. Reparem: o 190 dos americanos é o número 911”. Ora, nós escrevemos 11/9 porque, para nós, o dia vem antes do mês, no calendário. Os estadunidenses, por sua vez, empregam o mês antes do dia: 9/11. Apenas isso.

Também extremistas, os estadunidólatras cristãos colocam os Estados Unidos em um patamar elevadíssimo, como se eles fossem um povo superior, especialmente escolhido por Deus para a salvação da humanidade. Na verdade, os próprios norte-americanos muitas vezes demonstram ser superiores a todos. A estadunidolatria ignora os erros que essa grande potência cometeu, ao longo da História. Aplaude os ataques, à bomba atômica, ao Japão, que mataram inúmeros civis. Os estadunidólatras suavizam, ainda, os erros estratégicos que resultaram em milhares de mortes desnecessárias no Iraque.

O cristão que se preza não sataniza nem idolatra nação alguma. Mas tenho visto essas duas condutas extremadas no meio evangélico, especialmente em relação aos Estados Unidos e a Israel. Há igrejas que judaízam o cristianismo, inserindo no culto a Deus todo tipo de práticas e costumes do judaísmo, o que é um grande desvio do Evangelho, sobretudo à luz da Epístola aos Gálatas. Outras - influenciadas por DVDs que apresentam teorias da conspiração e “verdades ocultas” - não permitem nem que as bandeiras das aludidas nações, nos cultos de missões, figurem entre as de outras. Curiosamente, hasteiam bandeiras de países inimigos figadais do cristianismo, onde os cristãos têm sido massacrados pelo governo!

Aliás, os evangélicos influenciados pelo conspiracionismo ligam Israel à maçonaria, baseados em simbologia “forçada”. Esses antiamericanos e antissemitas cristãos (cristãos?) defendem a tese absurda de que a bandeira de Israel apresenta um símbolo maçônico. Ora, o Escudo de Davi, mais conhecido como Estrela de Davi, foi criado com base no Antigo Testamento, especialmente nas seguintes palavras de Deus a Abraão: “Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão” (Gn 15.1). Os dois triângulos que formam o escudo aludem à letra hebraica dalet, que aparece no começo e no fim do nome do rei Davi.

Os Estados Unidos são um país originalmente cristão, e não “o grande satã”. Israel é o povo escolhido de Deus, e não o criador da maçonaria. Mas os antissemitas “cristãos” chegam ao ponto de afirmar que Hitler estava certo ao eliminar os judeus! As duas nações em apreço não são perfeitas, evidentemente. Mas não compete a nós nem demonizá-las, nem endeusá-las. A nós, a Assembleia de Deus (gr. ekklesian tou theou) que Ele comprou com o seu sangue (At 20.28), cabe orar por elas, lembrando que Deus quer que todos os homens se salvem e conheçam a verdade (1 Tm 2.1-4).

Amém?

Fonte: The Christian Post

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